Bom dia! 🤝
O número mais importante desta semana não está na tabela de preços, está no volume que vai chegar ao Brasil em maio. Com queda de 91% no lineup de ureia em relação ao ano passado, o risco deixou definitivamente de ser sobre preço e passou a ser sobre disponibilidade física de produto.
Enquanto isso, o Brent cruzou US$ 124/bbl, máxima desde o início do conflito. Strikes do Centcom confirmados. Hormuz segue bloqueado. E os preços que o mercado forward projeta para junho e julho dependem de dois eventos que nenhum analista consegue garantir: China liberando cota e Ormuz abrindo.
NA EDIÇÃO DE HOJE:
👉 Agro: lineup de 30k t, Ormuz e a pergunta que importa
👉 Finance: Brent a $124, CBOT em alta e COPOM em maio
👉 Nobel em campo: navio com ureia atracou em Paranaguá
🎯 Nitrogenados: O lineup de maio tem 30 mil toneladas. Em 2025 foram 322 mil
A semana terminou sem nenhum negócio fechado em ureia granular no Brasil. Compradores resistem acima de US$ 750–760/t, vendedores tentam US$ 770–780/t. Mas a lacuna que importa não é essa — é a diferença entre o produto que o mercado espera e o que efetivamente vai chegar.

O mercado de futuros projeta queda para US$ 640–670/t CFR em junho e julho. Essa projeção depende de dois eventos simultâneos: China liberando cota de exportação e Hormuz reabrindo. Nenhum dos dois tem confirmação. Com 50% dos insumos da safra 26/27 ainda não comprados — ritmo 5–10pp abaixo do ano passado — a demanda represada vai aparecer. A questão é em que preço e com qual disponibilidade de produto.
Um dado que poucos estão discutindo: o sulfato de amônio a US$ 260–280/t entrega custo de nitrogênio ~$377/t mais barato que a ureia granular. Para quem tem flexibilidade técnica nas formulações, o diferencial histórico atual favorece ativamente a substituição. A Petrobras também está oferecendo ureia prill de Sergipe a ~$615/t equivalente — abaixo do mercado de importação, mas em volumes limitados.
💵 O Brent cruzou $124. O mercado precificou uma guerra.

Em apenas 13 dias de pregão, o Brent subiu US$ 36/bbl — de $88 para $124, com pico de $126. O catalisador foi o anúncio de strikes militares do Centcom em 28–29 de abril, confirmando que o conflito no Estreito de Hormuz escalou para engajamento direto. Para o agro, o impacto é direto: fretes com custo de bunker em alta, fertilizantes nitrogenados pressionados (lag de 2–4 semanas) e possível reajuste no diesel nos próximos 30–45 dias.
O lado positivo da semana é o CBOT: soja +22¢, milho +21¢, trigo +34¢ (máxima de dois anos). A soja a 1.182¢/bu convertida ao câmbio atual representa aproximadamente R$ 350/saca — nível que justifica fortemente o investimento em fertilizantes para maximizar produtividade na próxima safra.

⚠️ Insumos: Brent a $124 = prêmio de custo se transfere para CFR Brasil em 2–4 semanas. Fechar volume de nitrogênio agora é proteção contra alta de $40–60/t que pode vir.
💵Câmbio: R$ 5,00 ainda é R$ 634/t mais barato que em janeiro. Janela não fechou — mas COPOM mai/26 e Brent são riscos reais de reversão. Atue antes do comunicado.
🌾 CBOT: soja 1.182¢, milho 477¢, trigo 645¢. Relação insumo/produto ainda favorável — alta da receita esperada justifica investir em produtividade.
🏦 Crédito: crédito livre a 18–20% a.a. consome toda a margem gerada pelo câmbio favorável. Use PRONAMP (8–9% a.a.) e FCO. Verifique disponibilidade esta semana.
🎯 Monitorar: COPOM mai/26 (pivô doméstico), Hormuz/Centcom diariamente (pivô de custo de insumos), China cota de exportação (maior evento baixista do ano se sair).

🚢 Navio com ureia da Nobel atracou em Paranaguá

Na semana passada, nosso navio com Ureia atracou no Porto de Paranaguá. Em um mercado com lineup de maio 91% abaixo do ano passado, ver produto nosso chegando ao destino certo, no prazo certo, é exatamente o que nos move.
Não faltam análises sobre o que o mercado vai fazer. O que falta, na maioria das vezes, é execução - da negociação ao embarque, do embarque ao porto, do porto ao caminhão. É nisso que trabalhamos toda semana, independente do cenário lá fora.
Até a próxima 👋
Nobel Report, a inteligência de mercado para decisões mais seguras.
