No caso recente da relação entre Estados Unidos e Venezuela, a resposta curta é: muda menos no preço e mais na previsibilidade.

A Venezuela continua sendo uma origem relevante no papel, mas cada vez mais complexa na prática. O impacto não vem de sanções pontuais ou declarações políticas isoladas, e sim do efeito combinado sobre logística, seguro, financiamento e disposição do comprador em assumir risco.

Mesmo quando a produção está disponível, a ureia venezuelana carrega um prêmio implícito. Prêmio de risco. Prêmio logístico. Prêmio financeiro. Fretes mais caros, maior seletividade de armadores, exigências adicionais de seguro e menor apetite de alguns compradores internacionais reduzem sua competitividade frente a outras origens.

O resultado é um paradoxo: a oferta existe, mas não flui com a mesma eficiência. Em momentos de mercado frouxo, isso passa despercebido. Em um mercado sustentado, como o atual, essa perda de competitividade fica mais evidente.

Para o Brasil, o impacto é indireto. A Venezuela não define o piso global, mas ajuda (ou deixa de ajudar) a aliviar o mercado atlântico. Quando sua participação se torna mais cara ou mais incerta, o espaço para barganha diminui e outras origens passam a ditar o ritmo.

Isso significa alerta máximo? Não. Significa leitura fria. O comprador brasileiro não precisa reagir ao noticiário político, mas precisa entender que a Venezuela hoje é uma origem menos previsível do que já foi. Contar com ela como “válvula de escape” em momentos de aperto pode ser um erro de cálculo.

O risco real não é de ruptura, mas de expectativa frustrada. Aquela oferta que parecia uma alternativa barata pode não se materializar no prazo ou no custo imaginado. Em um mercado já sustentado por Índia, logística pressionada e oferta disciplinada, isso faz diferença.

A conclusão é simples: o conflito não muda o jogo sozinho, mas altera as margens do tabuleiro. Para o comprador brasileiro, o movimento correto não é reagir ao ruído, e sim ajustar o grau de confiança atribuído a cada origem. Em 2026, previsibilidade vale tanto quanto preço.

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