Estamos exatamente nesse ponto do ciclo. O tender da Índia elevou o piso global. Produtores estão com volumes comprometidos. O frete sustenta preço. A geopolítica adiciona prêmio. Ainda assim, o mercado doméstico apresenta compradores lentos e ofertas refletindo níveis anteriores.
À primeira vista, isso pode parecer estabilidade, mas, na prática, é desalinhamento.
Quando o internacional reprecifica e o local ainda não absorveu o movimento, cria-se uma zona de transição. Vendedores já operam com referência mais alta. Compradores ainda ancorados no passado recente. Esse descompasso raramente gera queda relevante, ele costuma terminar em ajuste.
O erro clássico do comprador é interpretar a lentidão do mercado interno como sinal de fraqueza.
Outro fator amplifica o risco: o Brasil é estruturalmente importador. Dependemos da janela global. Quando o piso sobe lá fora, não há alternativa doméstica capaz de neutralizar o movimento no curto prazo. A sequência típica é previsível:
Primeiro, vendedores firmam posição
Depois, ofertas começam a ajustar.
Por fim, compradores aceleram simultaneamente, pressionando ainda mais preço e disponibilidade.
O momento mais racional de decisão costuma ser exatamente quando o mercado parece calmo.

