A lógica parece simples:  se está barato agora, melhor garantir mais volume e capturar o fundo. Na prática, é exatamente nesse ponto que muitos perdem margem.

O mercado atual não é de colapso. É um mercado negociado, com queda gradual, custos ainda presentes e gatilhos futuros relevantes. Confundir fraqueza com segurança total costuma gerar decisões desbalanceadas, especialmente quando se trata da safrinha.

O primeiro erro está em tratar preço como variável isolada. Em mercados de fertilizantes, preço nunca caminha sozinho. Ele vem acompanhado de câmbio, logística, janela portuária e fluxo de oferta futura. Alongar posição hoje significa assumir risco em todas essas frentes — muitas vezes sem necessidade operacional real.

Outro ponto crítico é o timing logístico. A safrinha tem janela clara. Comprar volume excessivo cedo demais pode resultar em produto parado, capital imobilizado e exposição cambial desnecessária. O ganho teórico no CFR pode ser facilmente neutralizado por custo financeiro, frete interno mais caro ou ajustes de mercado nas semanas seguintes.

Há ainda o fator psicológico do mercado. Em ambientes fracos, vendedores tendem a ceder gradualmente, não de uma vez. Isso cria a falsa sensação de que “amanhã estará ainda melhor”. Quem alonga demais hoje perde flexibilidade para aproveitar oportunidades mais claras à frente — especialmente se surgir um gatilho externo, como mudança no câmbio ou retorno agressivo de um grande comprador global.

A estratégia mais eficiente nesse cenário não é tentar acertar o fundo. É comprar de forma tática. Garantir volumes essenciais, proteger a operação e manter espaço para ajuste. Mercado fraco recompensa disciplina, não ousadia excessiva.

Na safrinha, margem não se perde por comprar caro.
Ela se perde, muitas vezes, por comprar demais.

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