O comprador comparava frete, avaliava a rota mais comum e seguia o fluxo. Esse modelo funcionava em mercados direcionais, com preço em queda ou alta clara. Hoje, ele deixou de funcionar.

Com o mercado de ureia estabilizado, sem viés agressivo de baixa e sem gatilhos claros de alta, o centro da decisão migrou. O risco não está mais apenas no preço negociado,  está na execução. E, nesse contexto, o porto virou variável estratégica.

Paranaguá e Santos ilustram bem esse novo momento. Paranaguá segue como um dos principais hubs de fertilizantes do país, mas passou a carregar um custo implícito crescente: filas mais longas, janelas pressionadas e menor previsibilidade em períodos de pico. Em operações com margem curta, alguns dias adicionais de espera são suficientes para transformar um bom CFR em uma compra ruim.

Santos, por outro lado, opera com custos portuários historicamente mais elevados, mas entrega algo que hoje vale tanto quanto preço: previsibilidade. Em um mercado onde o comprador está menos preocupado em “pegar o fundo” e mais focado em não errar o timing, essa previsibilidade passa a justificar o prêmio.

A decisão, portanto, deixou de ser “qual porto é mais barato” e passou a ser “qual porto reduz meu risco total”. Isso envolve avaliar fila real, perfil da carga, urgência de uso do produto e impacto de atrasos na cadeia seguinte — seja mistura, distribuição ou aplicação.

O erro mais comum nesse cenário é olhar apenas o CFR e tratar o porto como detalhe. Em mercados estabilizados, detalhes operacionais definem margem. E o comprador que entende isso passa a negociar de forma diferente: exige visibilidade, ajusta janelas e distribui risco.

No último Nobel Report de 2025, falamos porque o Brasil segue como principal variável de ajuste e como a logística se tornou o fator decisivo nas compras de curto e médio prazo.

VEJA MAIS

No posts found